Fatu Banora
“Não sou uma vítima. Sou uma sobrevivente.”
“Não sou uma vítima. Sou uma sobrevivente.”
Nasceu na Guiné-Bissau e chegou a Portugal ainda criança. Tem uma voz doce, um sorriso tímido e uma enorme coragem para falar sobre aquilo que durante muitos anos sentiu que precisava esconder.
Aos seis anos foi submetida à mutilação genital feminina.
Hoje reconhece essa prática como uma violação profunda dos direitos humanos, mas recusa olhar para a sua história apenas a partir da revolta ou da culpabilização. Sabe que muitas das pessoas que perpetuam esta prática cresceram dentro de contextos culturais e sociais onde ela era apresentada como algo normal, necessário ou até protetor.
Não posso censurar completamente as pessoas que fazem isso. É um estigma criado pela sociedade, defendido pela tradição e pela cultura.
Durante muitos anos acreditou que aquilo que lhe tinham feito era normal. Só mais tarde começou verdadeiramente a compreender o impacto físico e emocional que essa experiência teve na sua vida.


