Escolas Ubuntu
Manifesto Escola Ubuntu
Somos braços da mesma árvore.
Uma visão partilhada do que esperamos de uma escola mais humana, inclusiva e promotora da paz.
Nota introdutória
Uma comunidade viva e comprometida
É com muita alegria e entusiasmo que publicamos a versão final do Manifesto Escola Ubuntu, fruto da inteligência emocional coletiva desenvolvida pelo Clube Ubuntu Nacional. Este documento é um tratado para as nossas escolas, afirmando a importância e a urgência de uma escola mais humana, inclusiva e promotora da paz. É o reflexo de uma comunidade que traduziu em palavras aquilo que se vive em cada Semana Ubuntu. O Manifesto valoriza a diversidade humana, rejeita estereótipos e promove uma liderança servidora, construtora de pontes e cuidadora. Reconhecemos que cada pessoa é simultaneamente pertença e autonomia e que a nossa individualidade se constrói na relação com os outros.
Rui Nunes da Silva
Presidente do Instituto Padre António Vieira
Nota metodológica
A escola vive nas pessoas
A escola não é um edifício, uma instituição fechada ou um número numa tabela. A escola vive nas pessoas que a fazem acontecer todos os dias: nos gestos de quem ensina e de quem aprende, na troca de olhares entre quem explica e quem descobre, nas conversas entre quem cuida e quem precisa de ser cuidado. Para o Encontro Nacional de Escolas Ubuntu, em abril de 2025, o Clube Ubuntu Nacional foi desafiado a refletir sobre os desafios da educação e as respostas possíveis. A partir do Manifesto Ubuntu, educadores Ubuntu e estudantes do Clube Ubuntu Nacional construíram esta visão em torno de doze temáticas. A redação final contou com o apoio e a validação do Conselho Científico da Academia de Líderes Ubuntu e do Conselho de Diretores de Escolas Ubuntu.
Doze princípios
A escola que hoje celebramos
01
Dignidade Humana
Uma Escola Ubuntu defende e garante que a dignidade humana é o princípio educativo que orienta todas as ações e relações da comunidade educativa. A promoção da dignidade humana manifesta-se através do reconhecimento e da valorização de cada pessoa pela sua singularidade, da igualdade de oportunidades, da participação ativa, do combate à discriminação e do acolhimento das diferenças culturais e sociais. Somos chamados a servir ativamente, numa lógica preventiva e interventiva, construindo um ambiente educativo onde a dignidade humana floresce.
02
Unidade na Diversidade
Uma Escola Ubuntu acolhe e valoriza a diversidade, criando condições para que todas as pessoas desenvolvam ao máximo as suas capacidades e potencialidades e garantindo que toda a comunidade educativa se envolve na construção de um ambiente inclusivo. Não é preciso ser igual para pertencer. Uma escola unida na diversidade forma cidadãos e cidadãs completos, não cópias conformadas. A diversidade não ameaça a unidade: é o que a torna verdadeira.
03
Empatia
Acreditamos na capacidade de olhar e compreender o outro, dentro e fora da sala de aula, num lugar em que cada pessoa importa e é entendida no seu todo. A Escola Ubuntu deve ser palco da magia de ver para além do óbvio, de tornar os invisíveis visíveis e de garantir que cada pessoa é vista, reconhecida, compreendida e capaz de transmitir o seu valor através da compreensão e da comunicação.
04
Interculturalidade
Acreditamos que não existe educação sem interculturalidade. A escola que não valoriza todas as culturas constrói muros em vez de pontes. A identidade cultural de cada pessoa deve ser respeitada e valorizada. Numa Escola Ubuntu, o conhecimento e a valorização da cultura do outro são o ponto de partida para a criação de pontes e para a valorização da dignidade humana: ensinar a ver o outro como parte de nós e encontrar um equilíbrio harmonioso entre quem acolhe e quem é acolhido.
05
Reconhecimento
Uma Escola Ubuntu dedica tempo para que as pessoas possam conhecer-se e reconhecer-se, contribuindo para a criação de melhores relações. Não coloca ninguém em caixas, mas respeita a individualidade de cada pessoa. O reconhecimento, através da empatia, desconstrói preconceitos e estereótipos e dá espaço, num ambiente seguro, para que as falhas nos permitam tentar de novo. Cada pessoa é visível, reconhecida e valorizada, e o reconhecimento torna-se impulsionador da aprendizagem.
06
Transformação
A transformação de cada pessoa numa Escola Ubuntu deve ser holística, respeitosa e colaborativa. Valorizamos a individualidade, promovemos a colaboração, incentivamos o diálogo, respeitamos a diversidade e garantimos uma educação emocional. Esta abordagem transforma o ambiente educativo e prepara cidadãos e cidadãs mais conscientes e interventivos. O primeiro passo para a transformação é o reconhecimento do erro e a separação entre identidade e comportamento, para que cada pessoa possa ser protagonista da mudança.
07
Compreensão
Na Escola Ubuntu, a compreensão deve ser defendida e promovida, dando tempo e espaço para que cada pessoa se possa exprimir, descobrir e ser, privilegiando os momentos de relação. Através da escuta ativa, valorizamos verdadeiramente o outro, para que se sinta ouvido, reconhecido e cuidado. Neste lugar de encontro, procuramos conhecer a outra margem e alargar os nossos horizontes. A compreensão é uma peça-chave para uma educação mais justa e inclusiva.
08
Individualidade
Defendemos que uma Escola Ubuntu é uma escola arco-íris, disposta a incluir todas as pessoas. Valoriza a individualidade enquanto promotora de riqueza, transformação e diversidade. Respeitar a individualidade de cada pessoa é uma forma de nos colocarmos ao serviço dos outros e um exercício diário de empatia: para respeitarem a nossa individualidade, é preciso respeitar a individualidade do outro.
09
Equidade
Acreditamos que todas as pessoas são capazes de fazer e de ajudar a fazer caminho para uma escola mais justa e inclusiva, mesmo quando têm pontos de partida distintos. Uma escola equitativa reconhece as diferenças sem as transformar em desigualdades. Apelamos às lideranças para que inspirem a comunidade a construir uma sociedade mais humana. Uma Escola Ubuntu valoriza o progresso individual e não apenas padrões fixos, metas e resultados.
10
Liberdade
Na Escola Ubuntu, a liberdade é a essência do nosso ser, o espaço onde nos encontramos e nos descobrimos na diversidade. Ser livre não é apenas poder escolher o próprio caminho, mas também reconhecer e respeitar o percurso do outro. Cada pessoa tem o direito e a responsabilidade de ser quem deseja ser. É na liberdade responsável que encontramos a nossa verdade e construímos um mundo mais humano, mais justo e mais Ubuntu.
11
Princípio de não violência
Recusamos qualquer tipo de violência e não ficamos indiferentes perante o sofrimento ou qualquer ataque à dignidade humana. A violência pode manifestar-se no silêncio, na exclusão, na humilhação, na desigualdade e na ausência de escuta. Defendemos uma escola que crie vínculos significativos entre os vários agentes educativos, a partir de espaços de empatia, justiça e cooperação. A Escola Ubuntu é um espaço privilegiado de relações humanas, cuidado e pertença.
12
Relação
A relação transforma o espaço educativo num espaço humano. Na Escola Ubuntu, cremos numa educação que promove o encontro, cria espaços e momentos de partilha, potencia a comunicação, o diálogo e o desenvolvimento de laços afetivos e efetivos entre os seus protagonistas. As relações promovem aprendizagens significativas que perduram no tempo. A Escola Ubuntu cria uma interação construtiva e um sentido de comunidade através da interdependência, numa conjugação plural do «eu + tu».
Construção coletiva
Escolas e instituições que contribuíram
O documento foi promovido pelo Instituto Padre António Vieira, com contributos da comunidade do Clube Ubuntu Nacional.
- AE Águeda Sul
- AE Alto dos Moinhos
- AE Batalha
- AE Camilo Castelo Branco
- AE Cego do Maio
- AE da Lousã
- AE da Póvoa de Lanhoso
- AE de Águas Santas
- AE de Eiriz, Paços de Ferreira
- AE de Ourém
- AE Esmoriz – Ovar Norte
- AE Ferreira de Castro
- AE de Gualdim Pais – Pombal
- AE Miguel Torga
- AE Monte da Lua
- AE Navegador Rodrigues Soromenho
- AE Ovar Norte
- AE Passos Manuel
- AE Piscinas
- AE Professor Agostinho da Silva
- AE Rainha Santa Isabel
- AE Reguengos de Monsaraz
- AE Santo António
- AE Várzea de Sintra
- EB 2/3 Ciclo Ferreira de Castro – Sintra
- EB Manuel Ferreira Patrício
- EBS Coelho e Castro Fiães
- EBS de Sever do Vouga
- ES D. João II Setúbal
- ES de Ponte de Sor
- EBS de Ourém
- ES Augusto Gomes
- Instituto Politécnico de Santarém